Minas terá instituto de pesquisa da Web
Susy Laguárdia
Repórter
Berço de empresas como Metasys, fornecedora de soluções para redes de computadores, do buscador Miner, comprado pelo UOL, e da empresa Akwan, ponto de partida para o Google fundar em Belo Horizonte seu único centro tecnológica na América Latina, o Departamento de Ciências da Computação (DCC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) tem nova empreitada à frente; o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Web (INCTW).
Com início das atividades previsto para o mês que vem, o instituto deverá formar mestres e doutores, pesquisar e criar tecnologias e inovações na Web.
O INCTW terá três vertentes básicas de estudo. A primeira é em identificação, caracterização e modelagem de interesses e padrões comportamentais das pessoas na Internet e as redes estabelecidas entre elas. Ou seja, vai estudar o comportamento dos internautas utilizando ferramentas de busca e interesses. A segunda vertente pesquisa o tratamento da informação que circula pelas diversas redes da Web, considerando as atividades de coleta, extração e conservação da informação. A terceira parte trata da entrega da informação satisfatória.
No primeiro momento, serão seis pesquisas. Regida pelo coordenador do Instituto, Virgílio Almeida, o estudo sobre as redes sociais pretende desvendar as relações entre os grupos e avaliar a relação dos internautas durante pesquisas da rede.
O estudo sobre a modelagem, interação e comportamento dos usuários em geral ficará por conta da professora Jussara Almeida. O sub-coordenador Nívio Ziviani estudará a busca de informação e a representação e organização dos objetos disponíveis em rede. A gerência de dados na Web fica por conta de Alberto Laender e Dorgival Guedes atuará na área de sistemas paralelos e distribuídos. Enfim, o processo da mineração e pós-processamento de dados será investigado pelo professor Wagner Meira.
Ziviani explica que um dos desafios das pesquisas é encontrar parcerias com empresas privadas, seja por meio de incentivos financeiros ou na área de pesquisa acadêmica.
O instituto faz parte de um programa nacional para incrementar a pesquisa científica no país. Ao todo foram criados 101 institutos em várias áreas do conhecimento. Desses, 12 estão em Minas Gerais (oito na UFMG). O programa tem orçamento de R$ 500 milhões, dos quais R$ 60 milhões ficarão na UFMG.
“Nova Akwan poderá surgir”
Segundo o sub-coordenador do Instituto, professor Nívio Ziviani, a criação do Instituto trará mais visibilidade e prestígio para Minas Gerais no que se refere à tecnologia e Internet e para a própria UFMG. Ele lembra que várias conferências que hoje são internacionais nasceram na Instituto de Ciências Exatas (ICEx), como a Spire, sigla em inglês que significa Recuperação de Informações e Linhas de Processos, que acontece anualmente, e cada edição em um país diferente.
“O instituto é fruto de um trabalho coletivo de um grupo que atua em várias áreas da Web”, define o coordenador do projeto, professor Virgílio Almeida. Ele conta que o INCTW foi um dos primeiros institutos aprovados entre os inscritos. Sua importância foi reconhecida por empresas como Google, Yahoo e Uol, que mandaram cartas de referência para o conselho que definia as aprovações.
A verba para o financiamento do Instituto virá do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). Foram solicitados R$ 3 milhões, de acordo com Almeida, apenas R$ 2,4 milhões foram aprovados. Essa verba deverá manter o Instituto por três anos, até que seja feita nova avaliação. “Caso tenha conseguido bons resultados, os institutos poderão pedir nova verba”, garante o diretor Científico da Fapemig, Mário Neto Borges. “É iniciativa pioneira que mostra decisão política forte, não só pelo volume de recursos mas pela natureza do investimento”, conclui Borges.
Contudo, o professor Nízio Ziviani pondera que o Instituto não tem objetivo de geração de riquezas, mas de conhecimento. Apesar disso, ele acredita que a possibilidade de casos como o da Akwan se repetir ficou maior.